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Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido…Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim – quase a expansão…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!De tudo houve um começo … e tudo errou…
Ai a dor de ser quase, dor sem fim…
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou…Momentos de alma que, desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ânsias que foram mas que não fixei…Se me vagueio, encontro só indícios…
Ogivas para o sol vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios…Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…Um pouco mais de sol e fora brasa,
Um pouco mais de azul e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…[Mario de Sá Carneiro]
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Entre a cidade e as colinas. Cantam-no as cigarras
entre a cidade e as colinas.Voava o falcão sobre os campos
e eu vi o pásaro imóvel sobre a relva.
O pássaro aflorava silencioso
e as plumas e a erva o coroavam.
Precipitou-se o falcão,
o fogo de seus olhos incendiando o ar.Morreste e o falcão apagou-se
à beira fosso, sobre as tuas carnes.
À beira sonho fervilham levíssimas abelhas.
Teu peito desfolha-se ao ogo frágil dos sonhos.
Só os sonhos tristes
entre a cidade e as colinas.Passa o menino com um ramo de salgueiro
ereto, fresco e úmido de lamber
metade a manhã, metade o prado
não te quer ver, não te quer ver.
A morte depõe corpos sobre a terra.Passadas a estrada e as cássias,
a caveira do melro se enlaça nas moitas,
murcha desbotada a longa cauda da pega
como um troféu primaveiril colhido há pouco,
a coruja não passa
de um vento obscuro de inverno
e o rouxinol é só um hábito invisível.[Bernardo Betolucci]
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Igual a maçã doce e vermelha,no mais alto ramo suspensa
esquecida lá no alto pelos colhedores?
Não, que eles não conseguiram alcançar…
Igual ao jacinto nas montanhas
Debaixo dos pés dos pastores calcado
Jaz por terra flor de púrpura
