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Ou quando definimos o conceito de design acabamos delimitando demais suas fronteiras? Por que a obsessão de ficarmos sempre tentando encaixotar os conceitos? Se é arte, design, ou se não é.
O professor João de Souza Leite falou certa vez que não tem problema essa coisa de usar design pra tudo… Hair designer, eyebrow designer etc. Não somos donos da palavra, ela existe e as pessoas usam como querem. Mas por que isso incomoda tando os designers? Acho que a maioria tem na cabeça um conceito encaixotado e rechaça o que não cabe dentro com veemência e medo de algum outro teórico vir e destruir com as barreiras do entendimento que ele tinha por design. Coisa que deve acontecer com frequência.Segundo William Miller a definição é importante pois “sem uma clara compreensão sobre o que desejamos significar por design, nos tornamos vítimas do pensamento arbitrário e de estilos”. Além disso ele diz adotarmos “noções variadas e deturpadas a respeito de estética, forma e função, enunciada por outros”.
É aquele velho papo dos diluidores que acham uma coisa bacana e saem por aí reaplicando formalmente sem saber direito o discurso imbuído no original.Pra finalizar a definição do mesmo teórico William R. Miller e um trabalho dos artistas/designers Detanico e Lain:
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Design é o processo de pensamento que compreende a criação de alguma coisa.

Utopia (2001-2003) – Detanico e Lain. Tipografia que retrata a combinação de arquitetura modernista e ocupação informal encontrada em grandes cidades brasileiras. Poster publicado para a 9a. Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza, Pavilhão Brasileiro.
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“Construction Materials Dijon”, 2004
“Construction materials water tower”, Phalsburg 2000Da mesma artista que na Bienal da Lisette fez o guia de terrenos baldios de São Paulo. Agora discutindo o espaço construído mostrando a quantidade de materiais de construção usados no espaço exibido.
via VVORK.
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Em uma aula, sendo perguntado sobre o significado de ‘arte’, o Agnaldo Farias mencionou o poema “Catar Feijão” do João Cabral sobre como as coisas estão aí como pedras e os artistas as tornam visíveis. Segundo ele “o artista dá a ver o problema, traz à tona aquilo que fica submerso para outros…”. Logicamente foi lembrado em aula a “pedra no caminho” do Drummond, mas o que me veio à cabeça na hora foi a música do Caetano “If you hold a stone”.
Fui procurar alguma coisa sobre essa música e fiquei surpresa ao ler um trecho do Verdade Tropical onde o Caetano fala que a música é uma homenagem ao trabalho da Lygia Clark. Achei curioso essas sincronias… pedras e arte. Abaixo o trecho do livro do Caetano e o poema Catar Feijão.
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Lembro nitidamente a menção da palavra pedra na descrição que Sônia fez do que viu de Lygia numa grande exposição coletiva do MAMB que eu, não sei por quê, não visitei. Parece-me que ela – que estava terminando um quadro abstrato que me parecia belo e que a levava às lágrimas enquanto era pintado – se perguntou se valeria a pena abandonar o óleo, a tela e os pincéis e participar de uma exposição com um “saco plástico cheio de água com uma pedra em cima”. É curioso que eu tenha tal lembrança, pois não sei o que poderia Lygia estar expondo em Salvador em 63-4. Acho que a frase de Sônia era uma espécie de suposição exagerada, mas é curioso que o que Lygia veio a fazer (e que eu homenageei numa canção de 71 – “If you hold a stone” tenha tido tanto a ver com essa descrição.”
[Caetano Veloso - Verdade Tropical]_______________________________________________________
1.
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.[Catar Feijão - João Cabral de Melo Neto]
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Betsy Walton tem uma produção intensa! Vale conferir aqui.
Uma dica: tenho achado muita coisa boa no site da Rojo!
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O sonho de uma cidade pública, dotada de espaços de encontros e trocas livres, é abandonado em favor do privilégio concedido ao ambiente privado pela globalização e as condições pós-modernas de desenvolvimeno do capitalismo” Amer Moustafa
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Usar o transporte público em vez do automóvel privado tem claramente consequências ambientais que impactam a vivibilidade da cidade. Mas não é só uma questão dos efeitos dessa decisão sobre a qualidade do ar que se respira. É também o impacto sobre os aspectos relacionais e de interação entre pessoas, e do nosso próprio relacionamento com a cidade.
Moro na Europa já há varios anos e recebo frequentemente visitas no Brasil. Certa vez recebi um amigo de São Paulo com seu sobrinho adolescente. Foi desconcertante perceber que o rapaz não sabia como se relacionar com a rua, demonstrando dificuldades em entender coisas simples como o funcionamento dos bilhetes do metrô, como atravessar a rua, como dividir a calçada com outros pedestres. Evidentemente ele cresceu quase sem contato direto com a cidade, não tendo portanto a vivência do tempo-espaço da rua que, vista sempre de dentro de um carro, é percebida como um lugar de passagem, mas não de convivência.”
Lara Penin no texto “Urbano todos os dias” que faz parte do Caderno SESC_Videobrasil 04 Ocupação do Espaço | *Esse caderno é bem bom, viu? Textos legais, entrevistas ótimas com a Renata Lucas e Oda Projesi.
LINKS:
Bicicletada Curitiba: A rua é de todos!
Apocalipse motorizado
Sustainable everyday
Oda Projesi ou Projeto Sala
release do Caderno SESC_Videobrasil 04 Ocupação do Espaço
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You May be Spending a Lot of Your Weekend Thinking About Alternative Careers, 2000Eu ia fazer um “P.S.” no post anterior mas achei melhor escrever outro pra dizer que lembrei do Sigmar Polke que também utiliza diversas técnicas em seus trabalhos. Quando fui a uma exposição dele o que mais me marcou foram os títulos (além das obras grandes e impressionantes). Eramempre frases compridas que muitas vezes não se reacionavam em nada com o que estava sendo representado visualmente. A partir daí virei fã do artista e me dei conta da importância do título, odeio muito trabalho sem título.

Most highly valued are the ones whose scent only spreads a few centimetres around them and can only be detected in the immediate vicinity, 1996
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Ao contrário do que muitos pensavam mundo está acabando mas a pintura não! Depois de ver aquelas pinturas hiper-realistas acho que entendi porque o povo achava que a pintura ja tinha dado o que tinha pra dar nas artes, né? Mas é só um meio, ferramenta que dá pano pra manga para as discussões. Lembro que uma vez foi falado que a maioria dos pintores eram homens e que a pintura era uma coisa do meio masculino e a fotografia mais do feminino. Sei lá, não tenho opinião sobre isso.
Enfim, as pinturas do Alex Lukas trazem muito do olhar fotográfico mas sem estar vinculado a discussão do hiper-realismo. Ele aproveita bem o suporte bidimensional fazendo uso de várias técnicas e tintas (acrilica, aquarela, guache, spray, serigrafia…). Vale ver com cuidado e ler a entrevista do cara aqui no Fecal Face.
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by Liz Wolfe
Enjoy it…while it lasts, 2007 by Timothy John Berg.
Ambos achados do Design For Mankind.Déjà vu! Postei algo parecido antes aqui.
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The Right Kind of Wrong é uma exposição do artista gráfico Anthony Burrill e designer de móveis e produtos Michael Marriott que acontece na agência de publicidade Mother em Londres.
“It’s about the truth of materials, not disguising what things are made out of.” Conscious of the environmental times we live in, Burrill and Marriott set out to use as much of the materials as possible, and to waste nothing.
The theme of truth was also somewhat inspired by the exhibition’s setting in an advertising agency. “[The sculpture] feels a bit like a seige tower or Trojan Horse, and advertising doesn’t always deal with the truth all the time,” Burrill says. “There’s lots of layers to it.”
via CR Blog.
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Esses são alguns desenhos do artista argentino Nicolas Róbbio que foram censurados no jornal da Bienal, 28b. O prédio da Bienal (dentro) é um estacionamento e fora um parque de diversões, somos cara-de-pau e o monumento é um joão-bobo? hahah! Muito bom!O Cypriano escreveu um texto ótimo criticando a Bienal e colocando o dedo na ferida sem dó! Leiam aqui. No final ele fala do movimento colocar a sujeira debaixo do tapete por parte da curadoria ao criar uma situação de falsa crítica e acordo de cavalheiros com a presidência da instituição. Fica aquela velha pergunta: “é possível realizar a crítica institucional dentro da instituição?”. E o encobrimento se torna mais óbvio quando o Ivo diz que vai fazer um relatório final acerca de conclusões sobre o evento porém ele será secreto. Ou seja, o compromisso do Ivo no final das contas é com a instituição e não com o público. Olha o que o Cypriano diz sobre isso:
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É compreensível que existam relatórios internos que não precisam ser públicos. Contudo, no caso da 28ª Bienal, esse documento seria como o relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e relatórios de CPI são necessariamente públicos.” Auditoria, já! haha!
Outros trechos do texto:
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a bienal da crítica institucional separou a reflexão da produção artística, como se a crítica não pudesse ser realizada pelos artistas, ou pior, deveria ser evitada.
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A ausência de projetos de risco na Bienal, tornou-se assim, uma marca desse evento, como afirmou a artista Carla Zaccagnini, no último debate da série “A Bienal de São Paulo e o meio artístico brasileiro: memória e projeção”.
Sobre o tal do jornal 28b:
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O jornal 28b, aliás, comprova outra das incongruências de “em vivo contato”: se por um lado ele cria um novo circuito para a Bienal, ao ser distribuído gratuitamente pela cidade, por outro, seu conteúdo é tão conservador que chega a ser estarrecedor. A começar pela existência de um editorial: Por que é preciso uma página tão hierárquica, com a voz de um dono da verdade como um editor? Mas não é só isso: Por que os artigos são tão convencionais rebaixando o conteúdo, evitando a reflexão? Por que evitar as polêmicas da mostra, como se elas não existissem, dando a impressão de um “house organ” publicitário? Por que buscar agradar o leitor a todo custo, no modelo “o povo fala” usado nos tablóides sensacionalistas?
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Tina Girouard, Carol Goodeen e Gordon Matta-Clark em frente ao Food, restaurante aberto pelo artista em 1971. Não resisti a colocar aqui essa imagem tão legal. Adoro o “COMIDAS CRIOLLAS“, me lembra empanadas criollas, carne dulce… hmmm! E o Gordon era bem bonitinho, né?
Acima imagens do inteiror da cozinha e outra foto da fachada.
Leia mais…
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Rirkrit Tiravanija é minha mais nova paixão! Só fui tomar conhecimento da sua existência ao citar um trabalho do Matta-Clark (aquele em que ele propõe uma cozinha comunitária) para a Roberta que me falou de um trabalho parecido do Tiravanija de 1992 que consistia em uma ação (sculpture–performance–guerrilla) em que ele esvaziou uma galeria em NY e instalou uma cozinha onde fazia comida tailandesa e as pessoas eram convidadas a se servir e comer de graça (foto abaixo).
Não é à toa que ele refez em 2007 a obra do Matta-Clark Open House de 1972 (imagem acima à direita).Ele veio ao Brasil na bienal passada mas infelizmente passou depercebido por mim. Seu trabalho consiste basicamente em ações (mais para o happening e não performance) políticas e sociais questionando o objeto de arte e consequentemente as instituições.
Fiquei intrigada depois de ler sobre uma retrospectiva dele feita no Museu de Arte Moderna de Paris em que o lugar estava vazio e os visitantes entravam em contato com suas obras através dos monitores que relatavam algumas das ações que ele havia realizado. Achei bacana e super contundente com o que ele se propõe.Lendo mais sobre o trabalho dele descobri que a ação em que ele cozinha para o público é na realidade inspirada num “Parangolé Área” do Hélio Oiticica! Sobre isso ele fala “Conheci o trabalho do Hélio mais tarde, mas junto com Gordon Matta-Clark e Broodthaers, ele se tornou minha maior referência” (link).
A entrevista de Rirkrit Tiravanija feita pela Lisette (aqui na Trópico) levanta questões interessantes e que dizem bastante respeito ao que foi questionado e proposto (com pouco sucesso) pela 28a Bienal esse ano:
“A falta de instituições pode ser útil, já que o vazio pode ser preenchido com idéias, que estavam ausentes nas ‘instituições’, talvez alternativas (o que também é uma instituição), mas pensando em paralelo. A arte e os artistas devem voltar à sua capacidade de sustentar idéias sem a necessidade da economia.”
Acho bonito também essa passagem:
“Eu me esforço muito para não privilegiar as imagens posteriores, para não fazer documentação, nem ter consciência do efeito do trabalho, que toma muitos rumos. E para não usar a imagem como representação do evento (convertendo-a no próprio trabalho). Prefiro abrir mão da imagem.”E ele deixa bem claro como funciona sua obra e as diferenças entre ação (happening) e performance quando diz que “na performance de Yves Klein (ou na idéia de performance) há aquele que faz a performance e a platéia, há a visão e aquele que a vê. Eu não gostaria de montar as coisas com essas idéias. Prefiro que a situação tenha escorregões e erupções.”












