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O termo a que Jean Baudrillard se refere parece fazer mais sentido após assistir a aula de Vladimir Safatle em que ele se refere à retórica de consumo, à colonização da cultura contemporânea através da moda, cinema e musica pop. Onde um pólo alimenta o outro gerenciados pela industria cultural, conglomerados, empresas.
“Muito mais que a especulação da arte e da mercantilização dos valores estéticos é preciso temer a transcrição de todas as coisas em termos culturais, estéticos, em signos museográficos. Nossa cultura dominante é isso: a imensa empresa de museografia da realidade, a imensa empresa de armazenamento estético que logo mais se verá multiplicado pelos meios técnicos da informação atual com a simulação e a reprodução estética de todas as formas que nos rodeam e que logo mais passarão a ser realidade virtual.” J. Baudrillard [via Wokitoki]
E sobre essa realidade virtual Flusser explica bem o que estamos vivendo quando fala que as imagens, “o mundo-da-ficção em superfície, o mundo das massas, está mascarando cada vez mais seu caráter fictício.” Perde-se assim o senso de “realidade” e nos tornamos alienados. [O mundo codificado]
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No texto Sobre a palavra design, Flusser atenta para o engodo, a trapaça, o auto-engano que pode ser o envolvimento com a cultura a partir da valorização do design (já que o termo também está relacionado a fraude). Segundo o autor, “quando se conseguiu superar a separação entre arte e técnica, abriu-se um horizonte dentro do qual podemos criar designs cada vez mais perfeitos, liberar-nos cada vez mais de nossa condição e viver de modo cada vez mais artificial (bonito). Mas o preço que pagamos por isso é a renúncia à verdade e à autenticidade”. Podemos entender a perda da fé na arte um pouco com esse sentido. Se tudo se dilui e acaba em design então estamos vivendo mesmo um auto-engodo.
Para entender como a arte se aproxima do design, o designer e crítico holandês Kees Dorst compara ambos a partir de seus processos criativos. Para ele, o artista contemporâneo transforma suas questões, seu desafio, em um problema de design. A fronteira entre arte e design é portanto permeável, e não somente em relação ao design no sentido da arte. Pois comumente escutamos a palavra “artístico” destinada a uma peça de design e sempre soubemos que “o design se inspira na arte” mas dificilmente pensamos no caminho inverso.
*designart foi um termo que nasceu nos fins dos anos 1990 em meio ao debate sobre as relações entre arte e design para designar algumas práticas contemporâneas de artistas/designers como Jorge Pardo, Tobias Rehberger, Studio van Lieshout, Superflex e Andrea Zittel. [fonte: Design and Art (Documents of Contemporary Art)]
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Te amo Banksy, sensacional!
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Esses são alguns desenhos do artista argentino Nicolas Róbbio que foram censurados no jornal da Bienal, 28b. O prédio da Bienal (dentro) é um estacionamento e fora um parque de diversões, somos cara-de-pau e o monumento é um joão-bobo? hahah! Muito bom!O Cypriano escreveu um texto ótimo criticando a Bienal e colocando o dedo na ferida sem dó! Leiam aqui. No final ele fala do movimento colocar a sujeira debaixo do tapete por parte da curadoria ao criar uma situação de falsa crítica e acordo de cavalheiros com a presidência da instituição. Fica aquela velha pergunta: “é possível realizar a crítica institucional dentro da instituição?”. E o encobrimento se torna mais óbvio quando o Ivo diz que vai fazer um relatório final acerca de conclusões sobre o evento porém ele será secreto. Ou seja, o compromisso do Ivo no final das contas é com a instituição e não com o público. Olha o que o Cypriano diz sobre isso:
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É compreensível que existam relatórios internos que não precisam ser públicos. Contudo, no caso da 28ª Bienal, esse documento seria como o relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e relatórios de CPI são necessariamente públicos.” Auditoria, já! haha!
Outros trechos do texto:
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a bienal da crítica institucional separou a reflexão da produção artística, como se a crítica não pudesse ser realizada pelos artistas, ou pior, deveria ser evitada.
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A ausência de projetos de risco na Bienal, tornou-se assim, uma marca desse evento, como afirmou a artista Carla Zaccagnini, no último debate da série “A Bienal de São Paulo e o meio artístico brasileiro: memória e projeção”.
Sobre o tal do jornal 28b:
“
O jornal 28b, aliás, comprova outra das incongruências de “em vivo contato”: se por um lado ele cria um novo circuito para a Bienal, ao ser distribuído gratuitamente pela cidade, por outro, seu conteúdo é tão conservador que chega a ser estarrecedor. A começar pela existência de um editorial: Por que é preciso uma página tão hierárquica, com a voz de um dono da verdade como um editor? Mas não é só isso: Por que os artigos são tão convencionais rebaixando o conteúdo, evitando a reflexão? Por que evitar as polêmicas da mostra, como se elas não existissem, dando a impressão de um “house organ” publicitário? Por que buscar agradar o leitor a todo custo, no modelo “o povo fala” usado nos tablóides sensacionalistas?
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Rirkrit Tiravanija é minha mais nova paixão! Só fui tomar conhecimento da sua existência ao citar um trabalho do Matta-Clark (aquele em que ele propõe uma cozinha comunitária) para a Roberta que me falou de um trabalho parecido do Tiravanija de 1992 que consistia em uma ação (sculpture–performance–guerrilla) em que ele esvaziou uma galeria em NY e instalou uma cozinha onde fazia comida tailandesa e as pessoas eram convidadas a se servir e comer de graça (foto abaixo).
Não é à toa que ele refez em 2007 a obra do Matta-Clark Open House de 1972 (imagem acima à direita).Ele veio ao Brasil na bienal passada mas infelizmente passou depercebido por mim. Seu trabalho consiste basicamente em ações (mais para o happening e não performance) políticas e sociais questionando o objeto de arte e consequentemente as instituições.
Fiquei intrigada depois de ler sobre uma retrospectiva dele feita no Museu de Arte Moderna de Paris em que o lugar estava vazio e os visitantes entravam em contato com suas obras através dos monitores que relatavam algumas das ações que ele havia realizado. Achei bacana e super contundente com o que ele se propõe.Lendo mais sobre o trabalho dele descobri que a ação em que ele cozinha para o público é na realidade inspirada num “Parangolé Área” do Hélio Oiticica! Sobre isso ele fala “Conheci o trabalho do Hélio mais tarde, mas junto com Gordon Matta-Clark e Broodthaers, ele se tornou minha maior referência” (link).
A entrevista de Rirkrit Tiravanija feita pela Lisette (aqui na Trópico) levanta questões interessantes e que dizem bastante respeito ao que foi questionado e proposto (com pouco sucesso) pela 28a Bienal esse ano:
“A falta de instituições pode ser útil, já que o vazio pode ser preenchido com idéias, que estavam ausentes nas ‘instituições’, talvez alternativas (o que também é uma instituição), mas pensando em paralelo. A arte e os artistas devem voltar à sua capacidade de sustentar idéias sem a necessidade da economia.”
Acho bonito também essa passagem:
“Eu me esforço muito para não privilegiar as imagens posteriores, para não fazer documentação, nem ter consciência do efeito do trabalho, que toma muitos rumos. E para não usar a imagem como representação do evento (convertendo-a no próprio trabalho). Prefiro abrir mão da imagem.”E ele deixa bem claro como funciona sua obra e as diferenças entre ação (happening) e performance quando diz que “na performance de Yves Klein (ou na idéia de performance) há aquele que faz a performance e a platéia, há a visão e aquele que a vê. Eu não gostaria de montar as coisas com essas idéias. Prefiro que a situação tenha escorregões e erupções.”
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Depois da decepção do Los Super Elegantes minha vontade (que já não era grande) de ver a Bienal foi a zero. Fui no encerramento-balada falida do coletivo assume vivid astro focus e me bateu uma tristezinha ao ver os panos e escritos no espaço da Dora que era destinado ao projeto anarcademia. Aparentemente ele não deu certo assim como para o Cypriano o projeto da Bienal “Em Vivo Contato” não aconteceu. Sobre isso ela fala no site “…achamos que o projeto estava sofrendo grande desgaste e que não estávamos tendo condições de adequá-lo às regras da Fundação.”
Também não consegui visitar a Paralela esse ano apsear da minha vontade de ver os trabalhos ser grande, tinha muito artista bom! Para consolar, ai vai um vídeo da Sara Ramo:
E aqui uma foto do trabalho da Brígida:

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Tá é meio bobinho mas é bom, rs! Acharam nos arquivos da LIFE essas imagens dos cantores nas casas dos seus respectivos pais. O melhor é o Frank Zappa (acima) e o
Elton John (abaixo).
via Apartment Therapy. Entrem nesse link que tem até os Jackson Five! Aff… muito american demais pro meu gosto, credo!
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Tom Zé – Só (Solidão)
Essa música genial é do disco Estudando o Samba. Adoro a parte que diz “o telefo- [vácuo]” e no final “o telefone tocou… foi engano”! Me lembra “olha a cobra! …é mentira!” hehehe! E “na vida quem perde o telhado em troca recebe as estrelas” é tão lindo…Esse ano o Tom Zé lançou o disco “Estudando a Bossa – Nordeste Plaza” que estou escutando agora. Amanhã, dia 22 e 23 de novembro ele apresenta o show de lançamento do álbum no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Vou perder pois ainda ando trabalhando muito.
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Esse ano eu perdi minha babushka mas ganhei matryoshkas.

O que por assossiação bizarra me fez lembrar o filme Lilja 4-ever de Lukas Moodysson (o mesmo diretor de Fucking Åmål). Lindo de morrer do coração, chorei tanto…
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A arte brasileira era tão mais excitante…

Flávio de Carvalho no lançamento de seu Traje de Verão (1957)
Nelson Leirner – Adoração ou Altar de Roberto Carlos (1966)
Catano Veloso vestindo parangolé de Hélio Oiticica (1968)
Cildo Meireles – Inserções em Circuitos Ideológicos (1970)
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A revista Época publicou trechos de cartas eróticas inéditas escritas por Guimarães Rosa para sua mulher Aracy de Carvalho. A matéria tem como título “P.S.: Beijo tua boquinha gulosa”. Eu acho um pouco bizarro o fato de duas historiadoras publicarem um livro com as tais cartas, meio invasão de privacidade, sei lá. Por mais lindas que sejam, o escritor deve estar se revirando de vergonha no caixão, rs! Aí vai um trecho:
“Antes e depois, beijar, longamente, a tua boquinha. Essa tua boca sensual e perversamente bonita, expressiva, quente, sabida, sabidíssima, suavíssima, ousada, ávida, requintada, ‘rafinierte’, gulosa, pecadora, especialista, perfumada, gostosa, tão gostosa como você toda inteira, meu anjo de Aracy bonita, muito minha, dona do meu coração”.
Acima uma fotografia linda de Guimarães Rosa e Aracy em Veneza que pertence ao acervo de Eduardo Tess, filho do casal, recentemente organizado (aliás por um amigo meu!) citado na revista Bravo!.
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A Wallpaper de outubro é uma edição especial com 428 páginas e editorias feitos pela arquiteta Zaha Hadid, a artista francesa Louise Bourgeois e Rei Kawakubo, estilista da Comme des Garçons. Foda!
via paula rizzo












