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  • Quanto mais a gente fica na frente da tela lendo feeds e blogs menos produzimos, e cada vez temos menos o que trocar ou mesmo o que pensar pois o discurso é, em sua maioria, vazio. É como se o fluxo de informação se tornasse uma forma de discurso inibidor de possíveis diálogos.

    Nesse sentido Lewis Thomas afirma que “todos nós estamos obcecados com a necessidade de alimentar a informação, tão rapidamente quanto possível, mas não descobrimos mecanismos que nos dêem muita coisa em troca.” Há uma predominância do discurso em detrimento do diálogo: “os homens sentem-se solitários, apesar da permanente ligação com as chamadas fontes de informação”.

  • Papelitos en las paredes é uma intervenção pública da Pilar López que faz parte do Autonomous public art workshop, Madrid. Achado no Rebelart.

    Me lembra quando era pequena e deixava coisas escritas nas casas onde morava… Toda vez que a gente ia se mudar eu escrevia uns papéis e colocava dentro dos espelhinhos de luz da casa ou escrevia direto nas gavetas dos armários imbutidos. Me pergunto o que passou na cabeça de quem os encontrou.

    E quem nunca chutou folhas de cadernos na rua e agachou para ler algo íntimo de outra pessoa? Ou achou um caderninho azul com anotações bobas mas que para o proprietário faria todo o sentido da vida?

  • Em março do ano passado eu fui pra Ubatuba e fiz esse vídeo na Sununga, minha praia favorita. A ideia era fazer uma animação com desenhos e linhas por cima mas meus projetos meio que morrem na praia… mania de ariano de começar as coisas e nunca terminar.

    1 – Uma história sobre mar:
    Esse natal minha prima me contou de uma etnia, uma tribo no México acho, que diferencia o gênero da palavra mar conforme seu estado. Quer dizer que quando o mar está bravo e agitado eles se referem a ele como “la mar” e quando o mar está calmo “el mar”. Interessante.

    2 – A história da Sununga:
    A Sununga é uma praia com o mar bem bravo que quase não dá pra entrar, ao lado têm pedras e uma gruta que se chama “Gruta que Chora”. Quando eu era pequena escutei uma história que dizia que na gruta há muitos e muitos anos atrás vivia uma cobra muito brava e venenosa e quando os índios ali chegaram eles jogaram a cobra no mar para poderem morar nela. Desde então o mar ficou bravo e a gruta pôs-se a chorar.
    Hoje a gruta está sumindo naturalmente… o mar está levando muita areia praquele canto da praia e entupindo o buraco. Mas ela ainda chora quando a gente grita.
    E “sununga” acho que significa “águas cantantes”.


  • Essas imagens do fotógrafo norueguês Rune Guneriussen (achei no RebelArt) me lembraram muito o trabalho do Nuno Ramos, Maré-Mobília. Fui procurar algumas imagens, mas nenhuma é muito boa [dá pra clicar em cima que ela amplia].


    Lembrei também de um texto lindo de autoria do próprio artista que li na faculdade… ele descrevia as gotas da chuva caindo na água do mar. Deve estar publicado em algum livro dele, só não sei qual, preciso buscar urgente! Mas dá pra ter uma sensação do que ele fala vendo esse vídeo da exposição Morte das Casas realizada no CCBB em 2004.

  • Vou passar minhas férias aqui ó:


    quem vem comigo?

    via Blue Ant Studio

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    Tom Zé – Só (Solidão)
    Essa música genial é do disco Estudando o Samba. Adoro a parte que diz “o telefo- [vácuo]” e no final “o telefone tocou… foi engano”! Me lembra “olha a cobra! …é mentira!” hehehe! E “na vida quem perde o telhado em troca recebe as estrelas” é tão lindo…

    Esse ano o Tom Zé lançou o disco “Estudando a Bossa – Nordeste Plaza” que estou escutando agora. Amanhã, dia 22 e 23 de novembro ele apresenta o show de lançamento do álbum no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Vou perder pois ainda ando trabalhando muito.

  • reloj
    Relojinhos de Maria Makowska do studio GOGO achados no designboom.

    Instrucciones para dar cuerda al reloj

    Allá al fondo está la muerte, pero no tenga miedo. Sujete el reloj con una mano, tome con dos dedos la llave de la cuerda, remóntela suavemente. Ahora se abre otro plazo, los árboles despliegan sus hojas, las barcas corren regatas, el tiempo como un abanico se va llenando de sí mismo y de él brotan el aire, las brisas de la tierra, la sombra de una mujer, el perfume del pan.
    ¿Qué más quiere, qué más quiere? Atelo pronto a su muñeca, déjelo latir en libertad, imítelo anhelante. El miedo herrumbra las áncoras, cada cosa que pudo alcanzarse y fue olvidada va corroyendo las venas del reloj, gangrenando la fría sangre de sus rubíes. Y allá en el fondo está la muerte si no corremos y llegamos antes y comprendemos que ya no importa.

    [Julio Cortázar - Historias de cronopios y de famas]

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  • Já leram o livro El Túnel do Ernesto Sabato? Se fizessem uma trilha sonora do livro (eu acredito que tudo na vida tem trilha sonora principalmente livros) essa seria a capa do cd. Lindas as ilustras e pinturas de Christian Northeast.

  • Muito lindo o trabalho da Lauren Nassef, ilustrações e desenhos… Mas as que eu mais gostei foram dessa série “colecionadores“:
    colecionadora
    Imelda Marcos, shoe collector

    colecionador
    Edward Palmer, plant collector

    colecionador de borboletas
    Andrey Avinoff, butterfly collector

  • Lindo o miniconto que o Jorge Coli colocou la no Ponto de Fuga ontem:

    “Vivi meses por conta de maria. Do trabalho rotineiro e de maria. Chegava e já ligava para ela, recebia ordens, ia visitá-la, jantava -raramente ia ao cinema ou ao teatro. Uma pessoa difícil. Suave e carinhosa por vezes, cruel e sanguinária por outras. Os versos de Carlos a ribombar: “A chuva me irritava. Até que um dia, descobri que maria é que chovia”. Sento-me defronte à calçada, aguardo amigos que chegarão. Há tempos não chegava ninguém. E maria respinga, mas não chove mais.”
    — extraído do recente “Ruídos Urbanos”, de Moacyr Godoy Moreira.

    monstros
    Ilustra de Irena Zablotska
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Todas esas palabras que no me dijiste

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Sununga

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