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Design não é apenas a solução de um problema.
No DesignNotes algumas passagens legais da entrevista com a designer Alissia Melka:
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Ao contrário do que muitos pensavam mundo está acabando mas a pintura não! Depois de ver aquelas pinturas hiper-realistas acho que entendi porque o povo achava que a pintura ja tinha dado o que tinha pra dar nas artes, né? Mas é só um meio, ferramenta que dá pano pra manga para as discussões. Lembro que uma vez foi falado que a maioria dos pintores eram homens e que a pintura era uma coisa do meio masculino e a fotografia mais do feminino. Sei lá, não tenho opinião sobre isso.
Enfim, as pinturas do Alex Lukas trazem muito do olhar fotográfico mas sem estar vinculado a discussão do hiper-realismo. Ele aproveita bem o suporte bidimensional fazendo uso de várias técnicas e tintas (acrilica, aquarela, guache, spray, serigrafia…). Vale ver com cuidado e ler a entrevista do cara aqui no Fecal Face.
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Rirkrit Tiravanija é minha mais nova paixão! Só fui tomar conhecimento da sua existência ao citar um trabalho do Matta-Clark (aquele em que ele propõe uma cozinha comunitária) para a Roberta que me falou de um trabalho parecido do Tiravanija de 1992 que consistia em uma ação (sculpture–performance–guerrilla) em que ele esvaziou uma galeria em NY e instalou uma cozinha onde fazia comida tailandesa e as pessoas eram convidadas a se servir e comer de graça (foto abaixo).
Não é à toa que ele refez em 2007 a obra do Matta-Clark Open House de 1972 (imagem acima à direita).Ele veio ao Brasil na bienal passada mas infelizmente passou depercebido por mim. Seu trabalho consiste basicamente em ações (mais para o happening e não performance) políticas e sociais questionando o objeto de arte e consequentemente as instituições.
Fiquei intrigada depois de ler sobre uma retrospectiva dele feita no Museu de Arte Moderna de Paris em que o lugar estava vazio e os visitantes entravam em contato com suas obras através dos monitores que relatavam algumas das ações que ele havia realizado. Achei bacana e super contundente com o que ele se propõe.Lendo mais sobre o trabalho dele descobri que a ação em que ele cozinha para o público é na realidade inspirada num “Parangolé Área” do Hélio Oiticica! Sobre isso ele fala “Conheci o trabalho do Hélio mais tarde, mas junto com Gordon Matta-Clark e Broodthaers, ele se tornou minha maior referência” (link).
A entrevista de Rirkrit Tiravanija feita pela Lisette (aqui na Trópico) levanta questões interessantes e que dizem bastante respeito ao que foi questionado e proposto (com pouco sucesso) pela 28a Bienal esse ano:
“A falta de instituições pode ser útil, já que o vazio pode ser preenchido com idéias, que estavam ausentes nas ‘instituições’, talvez alternativas (o que também é uma instituição), mas pensando em paralelo. A arte e os artistas devem voltar à sua capacidade de sustentar idéias sem a necessidade da economia.”
Acho bonito também essa passagem:
“Eu me esforço muito para não privilegiar as imagens posteriores, para não fazer documentação, nem ter consciência do efeito do trabalho, que toma muitos rumos. E para não usar a imagem como representação do evento (convertendo-a no próprio trabalho). Prefiro abrir mão da imagem.”E ele deixa bem claro como funciona sua obra e as diferenças entre ação (happening) e performance quando diz que “na performance de Yves Klein (ou na idéia de performance) há aquele que faz a performance e a platéia, há a visão e aquele que a vê. Eu não gostaria de montar as coisas com essas idéias. Prefiro que a situação tenha escorregões e erupções.”
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Ahá! sabia que eu tinha visto a imagem da capa dessa edição do livro da Miranda July em algum lugar… No encarte do CD “A Thousand Leaves” do Sonic Youth (aliás o encarte mais lindo deles). A fotografia é do Mark Borthwick. Achei uma entrevista e outras fotos lindas dele no site Fecal Face.
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Hits Of Sunshine (for Allen Ginsberg)
PS: essa música fez parte da minha adolescência!
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Ouvindo com atenção a Laurie Anderson em “It’s not the bullet that kills you – it’s the hole” de 1976 pincei o seguinte trecho: “Long distance is the story of my life / In the words of the artist Joseph Beuys, ‘If you get cut, you better bandage the knife’”. Googlei a frase e apareceram algumas coisas sobre uma suposta obra do Beuys intitulada “When You Cut Your Finger Bandage the Knife” (1962). Não achei nenhuma imagem desta obra… aí resolvi colocar aqui esse post com a imagem de uma outra performance famosa do Beuys que se chama “How to explain paintings to a dead hare” (1965) e por surpresa descobri que a Marina Abramovic também curte o artista. Ela refez essa mesma performance no Guggenheim em 2005, aí em baixo a imagem da Marina e o som da Laurie.
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Relacionado ao tema, se alguém se interessar, existe uma entrevista ótima da Marina Abramovic feita pela Laurie Anderson na Folha aqui e a orgininal é daqui.








