• Maria Eichhorn – Maria Eichhorn Public Limited Company 2002

    Será que arte hoje está mais “política” ou mais próxima à outras áreas das ciências humanas pois estamos perdendo o senso do real em nossa vivência?
    Ainda com Flusser na cabeça fiquei me questionando se o fato de estarmos perdendo as estribeiras da realidade (com a produção de imagens mascaradas de realidade) não teria a ver com a arte e o mundo da ficção estarem tão voltados para conceitos reais, preocupações de cunho social. Lógico que sempre houve arte política, mas parece que agora o foco é cada vez mais esse e algumas vezes é só isso, só o discurso. Os coletivos todos que pululam e as grandes exposições como a próxima Bienal dão cada vez mais enfoque ao político trazendo a realidade para dentro dos museus.

    Me lembrei de um texto do Basualdo sobre a Documenta XI (aliás a mostra mais política) onde ele cita Borges e suas ficções. No conto Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, um fascículo da enciclopédia de um mundo ilusório (fictício) é achado e algumas palavras, conceitos e coisas de lá se tornam reais e como num espelho de Alice o mundo fantástico vai escapando até preencher o real.

    Copy Right
    Superflex – Copy Right, 2006

    Seria então a arte uma forma de contrapondo do real? Se estamos perdendo o senso e nosso mundo está ilusório demais ela tenta trazer de volta com a ajuda de outras áreas.

  • coletivo
    Fiquei encantada com o trabalho dos franceses Formes Vives que encontrei via manystyuff.org. Como podem ver eles são bem engajados e os desenhos tem um tom político ácido por vezes.

    carte

    livro


    As serigrafias que eles fazem são incrívels, não?
    Fuçando no blog deles também achei outra preciosidade… o trabalho de um ilustrador (também francês) chamado Berbolex. Coloquei uma amostra abaixo, é um livro de crianças impresso em 3 cores que viram 7, lindo!

    berbolex
    Se gostaram dá pra ver um pouquinho mais aqui.

  • “

    O sonho de uma cidade pública, dotada de espaços de encontros e trocas livres, é abandonado em favor do privilégio concedido ao ambiente privado pela globalização e as condições pós-modernas de desenvolvimeno do capitalismo” Amer Moustafa

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    Usar o transporte público em vez do automóvel privado tem claramente consequências ambientais que impactam a vivibilidade da cidade. Mas não é só uma questão dos efeitos dessa decisão sobre a qualidade do ar que se respira. É também o impacto sobre os aspectos relacionais e de interação entre pessoas, e do nosso próprio relacionamento com a cidade.

    Moro na Europa já há varios anos e recebo frequentemente visitas no Brasil. Certa vez recebi um amigo de São Paulo com seu sobrinho adolescente. Foi desconcertante perceber que o rapaz não sabia como se relacionar com a rua, demonstrando dificuldades em entender coisas simples como o funcionamento dos bilhetes do metrô, como atravessar a rua, como dividir a calçada com outros pedestres. Evidentemente ele cresceu quase sem contato direto com a cidade, não tendo portanto a vivência do tempo-espaço da rua que, vista sempre de dentro de um carro, é percebida como um lugar de passagem, mas não de convivência.”

    Lara Penin no texto “Urbano todos os dias” que faz parte do Caderno SESC_Videobrasil 04 Ocupação do Espaço | *Esse caderno é bem bom, viu? Textos legais, entrevistas ótimas com a Renata Lucas e Oda Projesi.

    LINKS:
    Bicicletada Curitiba: A rua é de todos!
    Apocalipse motorizado
    Sustainable everyday
    Oda Projesi ou Projeto Sala
    release do Caderno SESC_Videobrasil 04 Ocupação do Espaço


  • Ao contrário do que muitos pensavam mundo está acabando mas a pintura não! Depois de ver aquelas pinturas hiper-realistas acho que entendi porque o povo achava que a pintura ja tinha dado o que tinha pra dar nas artes, né? Mas é só um meio, ferramenta que dá pano pra manga para as discussões. Lembro que uma vez foi falado que a maioria dos pintores eram homens e que a pintura era uma coisa do meio masculino e a fotografia mais do feminino. Sei lá, não tenho opinião sobre isso.
    Enfim, as pinturas do Alex Lukas trazem muito do olhar fotográfico mas sem estar vinculado a discussão do hiper-realismo. Ele aproveita bem o suporte bidimensional fazendo uso de várias técnicas e tintas (acrilica, aquarela, guache, spray, serigrafia…). Vale ver com cuidado e ler a entrevista do cara aqui no Fecal Face.

  • Tá certo que ontem eu estava bem emotiva mas esse filme me tirou litros de lágrimas! É lindo lindo, apesar de tenso… Foi uma surpresa pois não sabia muito do que se tratava e a capa do dvd parece super alto astral e curtição, haha! Acho que é bem pertinente assisti-lo em meio ao falatório sobre guerras e conflitos Israel/Palestina na faixa de Gaza mas no caso o aspecto político é tratado de uma forma mais simples (talvez um pouco naif e superficial) mas não deixa de ser contundente. E a trilha sonora é foférrima!

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    First Day Of My Life – Bright Eyes

  • Que medo esse tal de “Capitalismo Verde” citado na tradução do texto “20 Theses against green capitalism” no Apocalipse motorizado. Quando li primeiramente nos feed achei uma viagem alarmista demais… mas quando entrei no site hoje pra linkar como referência no Twitter assisti ao vídeo (que não aparece nos feeds pq é youtube) e fiquei horrorizada! Gentem! “ECO-SEXY”???? “Quem precisa do protocolo de Kyoto se podemos comprar eco”??? Minha nossa senhora, dêem uma olhada nisso:


    Alguns apontamentos que o texto coloca em relação a isso:

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    (…) Esta postura não altera em nada a rota de colisão entre as economias de mercado e a biosfera.

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    7. O “Capitalismo Verde” não vai colocar em discussão o poder daqueles que mais emitem gases de mudanças climáticas (empresas de energia, companhias aéreas, montadoras de automóveis, agricultura industrial), mas simplesmente vai despejar mais dinheiro nestas empresas, para ajudá-las a manter seus lucros mediante pequenas mudanças ecológicas, que serão muito pequenas e tomadas muito tarde.

    Leia na íntegra aqui.

    Difiícil viver num mundo onde tudo vira produto…

    E agora uma piadinha infame do meu pai que eu não poderia deixar passar: “2009 vai ser o ano do consumismo: con su mismo auto, con su mismo celular, con su mismo pantalón…”


  • Esses são alguns desenhos do artista argentino Nicolas Róbbio que foram censurados no jornal da Bienal, 28b. O prédio da Bienal (dentro) é um estacionamento e fora um parque de diversões, somos cara-de-pau e o monumento é um joão-bobo? hahah! Muito bom!

    O Cypriano escreveu um texto ótimo criticando a Bienal e colocando o dedo na ferida sem dó! Leiam aqui. No final ele fala do movimento colocar a sujeira debaixo do tapete por parte da curadoria ao criar uma situação de falsa crítica e acordo de cavalheiros com a presidência da instituição. Fica aquela velha pergunta: “é possível realizar a crítica institucional dentro da instituição?”. E o encobrimento se torna mais óbvio quando o Ivo diz que vai fazer um relatório final acerca de conclusões sobre o evento porém ele será secreto. Ou seja, o compromisso do Ivo no final das contas é com a instituição e não com o público. Olha o que o Cypriano diz sobre isso:

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    É compreensível que existam relatórios internos que não precisam ser públicos. Contudo, no caso da 28ª Bienal, esse documento seria como o relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e relatórios de CPI são necessariamente públicos.” Auditoria, já! haha!

    Outros trechos do texto:

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    a bienal da crítica institucional separou a reflexão da produção artística, como se a crítica não pudesse ser realizada pelos artistas, ou pior, deveria ser evitada.

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    A ausência de projetos de risco na Bienal, tornou-se assim, uma marca desse evento, como afirmou a artista Carla Zaccagnini, no último debate da série “A Bienal de São Paulo e o meio artístico brasileiro: memória e projeção”.

    Sobre o tal do jornal 28b:

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    O jornal 28b, aliás, comprova outra das incongruências de “em vivo contato”: se por um lado ele cria um novo circuito para a Bienal, ao ser distribuído gratuitamente pela cidade, por outro, seu conteúdo é tão conservador que chega a ser estarrecedor. A começar pela existência de um editorial: Por que é preciso uma página tão hierárquica, com a voz de um dono da verdade como um editor? Mas não é só isso: Por que os artigos são tão convencionais rebaixando o conteúdo, evitando a reflexão? Por que evitar as polêmicas da mostra, como se elas não existissem, dando a impressão de um “house organ” publicitário? Por que buscar agradar o leitor a todo custo, no modelo “o povo fala” usado nos tablóides sensacionalistas?


  • Eu li no blog IdeaFixa sobre o projeto coletivo de arte e intervenções Wokitoki, achei interessante, principalmente a imagem forte da senhora pixando um muro (pelas palavras escritas em espanhol deduzi que deveria ser uma das avós da praça de Mayo). Depois entrando no link vi que se trata de uma intervenção “Las paredes son nuestras” feita em dezembro do ano passado.


    Essa formiga pichada na parede tem uma história bacana que minha prima me contou. Ela simboliza um mártir lá de Rosário (Pocho) que lutava pela melhoria de vida das crianças carentes e sem-teto. Se não me engano era um padre que andava só de bicicleta pela cidade e tinha um abrigo/escola para as crianças e ele foi morto de uma forma nojenta por policiais. Os milicos aparecerem na frente da escola e ameaçaram atirar (isso não lembro o porquê) aí ele subiu no teto da casa com as mãos levantadas e pediu que não atirassem pois alí só tinha crianças. Resultado… atiraram nele. Isso tudo aconteceu não faz tanto tempo assim… queria ler mais sobre o assunto, vou procurar.

    Ah, isso eu sei pois se você for a Rosário vai ver que tem um monte de formigas pixadas pela cidade inteira! É de arrepiar… Me instiga como os argentinos são mais ativos politicamente do que os bananas aqui que precisam de um Collor da vida pra resolver sair nas ruas.

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    Voto contra o logro, o atraso e a mistificação do voto obrigatório. Voto deveria ser como sexo, baseado na livre escolha, na fantasia e num nítido senso de propósito

    Nicolau Sevcenko falou e disse. Na folha sábado passado 18/10.

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    A entrevista com o sociólogo Francisco de Oliveira ontem na folha também está muito boa:

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    São Paulo é uma cidade bastante conservadora. Se você retoma a história brasileira, o populismo paulista sempre foi de direita: Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Paulo Maluf.
    Leia mais…

  • A arte brasileira era tão mais excitante…

    Flavio de Carvalho
    Flávio de Carvalho no lançamento de seu Traje de Verão (1957)


    Nelson Leirner – Adoração ou Altar de Roberto Carlos (1966)

    Helio Oiticica Parangole
    Catano Veloso vestindo parangolé de Hélio Oiticica (1968)


    Cildo Meireles – Inserções em Circuitos Ideológicos (1970)


    Lygia CLark – Baba Antropofágica (1973)

    ANNA BELLA GEIGER O Pão nosso (1978)
    Anna Bella Geiger – O Pão nosso (1978)

  • O Olafur Eliasson chegou perto de bater o Christo no quesito gastar dim dim com obras monumentais. Foram $15 milhões de iniciativas privadas. Os portões do Christo no parque central custaram $20 mi e estimam que deram um retorno de $254 milhões para a cidade de NY.
    Enquanto isso, aqui no Brasil temos o Srur com as garrafas PET no Tietê. Ouvi dizer que obra teve incentivo público mas não achei nada publicado sobre o quanto teria sido gasto e nem quem bancou. Só sei que no meio da arte o Srur e trabalhos como esse são bem contestados. Ainda mais porque mesmo em termos ecologicos são patifarias que fazem alarde mas que não promovem mudanças de fato. Tipo o projeto Pomar que coloca florzinhas ao lado do “rio”. Seria mais eficaz promover a educação ambiental nas escolas e conscientização para os cidadãos, mas isso não dá publicidade. No fim tudo é marketing pessoal… pro artista ou pro prefeito.

  • Texto da semana, para quem não leu na Ilustrada:

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    Com trabalhos de 150 artistas, exposição para financiar preservação ambiental arrecadou R$ 750 mil por lei de incentivo

    Diretor de museus do MinC considera a operação “estranha”, mas assessoria do ministério assegura que não há irregularidade

    FABIO CYPRIANO
    DA REPORTAGEM LOCAL

    Com a participação de 150 artistas brasileiros, “Arte pela Amazônia”, mostra que é inaugurada hoje no pavilhão na Bienal, tem como objetivo central arrecadar fundos para a compra de uma área na fronteira do Mato Grosso com o Amazonas para preservação ambiental. Os artistas doaram as obras, que irão a leilão no dia 3 de abril.
    Segundo Ricardo Ribenboim, um dos sócios da Base 7 Projetos Culturais, produtora que organiza a mostra, a expectativa é arrecadar entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, suficientes para comprar um terreno de 833 hectares, área cinco vezes superior ao parque Ibirapuera. “Esse terreno, onde será possível plantar 1 milhão de árvores, custa em torno de R$ 120 mil e com o dinheiro restante pretendemos criar um edital para projetos de qualidade para a população indígena e ribeirinha”, conta Ribenboim.
    Curioso, entretanto, é que a Base 7 arrecadou, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, R$ 750 mil para a organização da exposição, valor bem superior ao que se pretende arrecadar. “Uma exposição com 150 artistas é muito cara por conta do seguro das obras, do aluguel de espaço, da edição de um catálogo. Nós só quisemos organizar a mostra e depois viabilizá-la a ponto de conseguir que a renda seja totalmente entregue ao projeto”, diz Ribenboim.
    “Acho estranho que isso ocorra e, se virar moda, todo mundo vai usar a lei de incentivo para organizar uma exposição e fazer negócios em favor de alguma causa, independente do que ela seja”, diz José do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Museus do Ministério da Cultura (MinC). Coordenador de Análise e Aprovação de Projetos do MinC, Maurício Bortoloti disse que irá emitir um parecer sobre o caso nos próximos dias.
    A assessoria de imprensa do ministério assegura, no entanto, que não há irregularidade, pois os projetos inscritos podem ter fim comercial, se houver uma finalidade cultural.

    Em família
    A idéia para organizar a mostra com fins filantrópicos teve início numa conversa familiar: o filho de Ribenboim, Gabriel, é um dos proprietários da CO2 Soluções Ambientais, empresa que realiza projetos de neutralização de carbono, e tem uma fazenda próxima à área onde se pretende adquirir o novo terreno e irá monitorar o novo espaço contra incêndios e o desmatamento. “A idéia surgiu da união da CO2 e da Base 7 para criar um projeto de preservação consciente da Amazônia de longo prazo”, diz Ribenboim.
    O resultado da arrecadação do leilão será dividido em duas partes: 30% para os artistas e 70% para uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), criada a partir do Instituto Arte Mais Meio Ambiente, que irá gerenciar o projeto. Os artistas, segundo Ribenboim, estão sendo convidados a participarem da entidade. “A idéia é entender que isso é uma atitude de artistas e foi bacana ver como houve sensibilidade para o projeto”, diz.
    De 170 convidados, 150 aceitaram o convite para a mostra. No entanto, vários artistas ouvidos pela Folha não sabiam da captação. “Acho o valor arrecadado muito elevado, mas acredito ser por uma boa causa”, diz Mauro Restiffe. Outros atenderam por respeito ao organizador: “Participo porque confio no Ribenboim”, diz Carlito Carvalhosa. Outros artistas -que preferiram não se identificar- tiveram reações mais exaltadas ao tomar conhecimento da captação.
    A Base 7 conseguiu ainda uma parceria com a Fundação Bienal de São Paulo que, mesmo ainda tendo dívidas da Bienal de 2006, deu um desconto substantivo para o aluguel: em vez de cobrar o preço normal, R$ 274 mil, está recebendo R$ 50 mil. O curador da fundação, Jacopo Crivelli Visconti, também trabalha para “Arte pela Amazônia”, organizando a disposição das obras e escrevendo o texto do catálogo. Segundo Ribenboim, Visconti recebe verba da própria fundação.

    ”

    O que mais irrirta é a alienação dos artistas em relação a tudo isso! Como alguém topa expor as obras sem saber (ou nem querer saber) o que está por trás de tudo isso e pra quem vai o dinheiro? Ainda mais quando é por uma “boa causa”, olho aberto minha gente.

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Alex Lukas

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amor e conflito

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ecapitalismo!

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nulo

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