O termo a que Jean Baudrillard se refere parece fazer mais sentido após assistir a aula de Vladimir Safatle em que ele se refere à retórica de consumo, à colonização da cultura contemporânea através da moda, cinema e musica pop. Onde um pólo alimenta o outro gerenciados pela industria cultural, conglomerados, empresas.
“Muito mais que a especulação da arte e da mercantilização dos valores estéticos é preciso temer a transcrição de todas as coisas em termos culturais, estéticos, em signos museográficos. Nossa cultura dominante é isso: a imensa empresa de museografia da realidade, a imensa empresa de armazenamento estético que logo mais se verá multiplicado pelos meios técnicos da informação atual com a simulação e a reprodução estética de todas as formas que nos rodeam e que logo mais passarão a ser realidade virtual.” J. Baudrillard [via Wokitoki]
E sobre essa realidade virtual Flusser explica bem o que estamos vivendo quando fala que as imagens, “o mundo-da-ficção em superfície, o mundo das massas, está mascarando cada vez mais seu caráter fictício.” Perde-se assim o senso de “realidade” e nos tornamos alienados. [O mundo codificado]
As sociedades disciplinares dão lugares às sociedades de controle. Onde “a empresa substitui a fábrica, a formação permanente tende a substituir a escola, e o controle contínuo substitui o exame.” e “o marketing é agora o instrumento de controle social, e forma a raça impudente dos nossos senhores.” [Deleuze]
Há uma crise social de legitimidade onde os papéis sociais não têm ética da convicção. Assume-se sem crer. É mais fácil do que ter que acreditar no que faz. Isso se chama subjetividade irônica. há uma ironia entre o enunciador e a fala. Os tipos ideias se auto-ironizam, trazem em si sua própria crítica. Desarticula-se a crítica absorvendo-a. A retórica do consumo nos faz vivênciar a anomia de maneira prazerosa.
“Após a crise das antigas formas de pensar, uma certa estabilidade parece ter se enraizado, tornando dominante na sociedade contemporânea um pensamento único que impede a instauração de novas realidades. Em um contexto de relações sociais pautadas pela atitude cínica, decreta-se a falência de qualquer leitura crítica ou formas diversas de racionalização.” » Cinismo e falência da crítica
COMENTÁRIOS / UM COMENTÁRIO
Fernando contribuiu com sua opinião em 01/08/09, 6:02 amBaudrillard é gênio! Ainda que muita gente não compreenda o sujeito… Se bem que isso é um bom sinal, provavelmente.
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