art.
set 24.09 | Pipilotti no Paço outra vez



A partir de 6 de outubro no Paço das Artes poderemos conferir dez videoinstalações da artista Pipilotti Rist! Tem uma matéria falando mais da expo aqui.
A obra “I’m Not The Girl Who Misses Much” que está entre essas dez escolhidas já foi exposta no Paço uma vez. Queria muito ver uma dessas megainstalações como as imagens acima. E tem mais imagens aqui pra quem quiser conhecer melhor o trabalho dela.
ago 16.09 | qualquer semelhança é mera realidade

Maria Eichhorn – Maria Eichhorn Public Limited Company 2002Será que arte hoje está mais “política” ou mais próxima à outras áreas das ciências humanas pois estamos perdendo o senso do real em nossa vivência?
Ainda com Flusser na cabeça fiquei me questionando se o fato de estarmos perdendo as estribeiras da realidade (com a produção de imagens mascaradas de realidade) não teria a ver com a arte e o mundo da ficção estarem tão voltados para conceitos reais, preocupações de cunho social. Lógico que sempre houve arte política, mas parece que agora o foco é cada vez mais esse e algumas vezes é só isso, só o discurso. Os coletivos todos que pululam e as grandes exposições como a próxima Bienal dão cada vez mais enfoque ao político trazendo a realidade para dentro dos museus.Me lembrei de um texto do Basualdo sobre a Documenta XI (aliás a mostra mais política) onde ele cita Borges e suas ficções. No conto Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, um fascículo da enciclopédia de um mundo ilusório (fictício) é achado e algumas palavras, conceitos e coisas de lá se tornam reais e como num espelho de Alice o mundo fantástico vai escapando até preencher o real.

Superflex – Copy Right, 2006Seria então a arte uma forma de contrapondo do real? Se estamos perdendo o senso e nosso mundo está ilusório demais ela tenta trazer de volta com a ajuda de outras áreas.
jul 22.09 | crise
O termo a que Jean Baudrillard se refere parece fazer mais sentido após assistir a aula de Vladimir Safatle em que ele se refere à retórica de consumo, à colonização da cultura contemporânea através da moda, cinema e musica pop. Onde um pólo alimenta o outro gerenciados pela industria cultural, conglomerados, empresas.
“Muito mais que a especulação da arte e da mercantilização dos valores estéticos é preciso temer a transcrição de todas as coisas em termos culturais, estéticos, em signos museográficos. Nossa cultura dominante é isso: a imensa empresa de museografia da realidade, a imensa empresa de armazenamento estético que logo mais se verá multiplicado pelos meios técnicos da informação atual com a simulação e a reprodução estética de todas as formas que nos rodeam e que logo mais passarão a ser realidade virtual.” J. Baudrillard [via Wokitoki]
E sobre essa realidade virtual Flusser explica bem o que estamos vivendo quando fala que as imagens, “o mundo-da-ficção em superfície, o mundo das massas, está mascarando cada vez mais seu caráter fictício.” Perde-se assim o senso de “realidade” e nos tornamos alienados. [O mundo codificado]
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jul 07.09 | sobre a palavra designart*

No texto Sobre a palavra design, Flusser atenta para o engodo, a trapaça, o auto-engano que pode ser o envolvimento com a cultura a partir da valorização do design (já que o termo também está relacionado a fraude). Segundo o autor, “quando se conseguiu superar a separação entre arte e técnica, abriu-se um horizonte dentro do qual podemos criar designs cada vez mais perfeitos, liberar-nos cada vez mais de nossa condição e viver de modo cada vez mais artificial (bonito). Mas o preço que pagamos por isso é a renúncia à verdade e à autenticidade”. Podemos entender a perda da fé na arte um pouco com esse sentido. Se tudo se dilui e acaba em design então estamos vivendo mesmo um auto-engodo.
Para entender como a arte se aproxima do design, o designer e crítico holandês Kees Dorst compara ambos a partir de seus processos criativos. Para ele, o artista contemporâneo transforma suas questões, seu desafio, em um problema de design. A fronteira entre arte e design é portanto permeável, e não somente em relação ao design no sentido da arte. Pois comumente escutamos a palavra “artístico” destinada a uma peça de design e sempre soubemos que “o design se inspira na arte” mas dificilmente pensamos no caminho inverso.
*designart foi um termo que nasceu nos fins dos anos 1990 em meio ao debate sobre as relações entre arte e design para designar algumas práticas contemporâneas de artistas/designers como Jorge Pardo, Tobias Rehberger, Studio van Lieshout, Superflex e Andrea Zittel. [fonte: Design and Art (Documents of Contemporary Art)]
jun 29.09 | Todas esas palabras que no me dijiste
Papelitos en las paredes é uma intervenção pública da Pilar López que faz parte do Autonomous public art workshop, Madrid. Achado no Rebelart.
Me lembra quando era pequena e deixava coisas escritas nas casas onde morava… Toda vez que a gente ia se mudar eu escrevia uns papéis e colocava dentro dos espelhinhos de luz da casa ou escrevia direto nas gavetas dos armários imbutidos. Me pergunto o que passou na cabeça de quem os encontrou.
E quem nunca chutou folhas de cadernos na rua e agachou para ler algo íntimo de outra pessoa? Ou achou um caderninho azul com anotações bobas mas que para o proprietário faria todo o sentido da vida?
jun 03.09 | madrasta natureza II

Ou “o que fazer com tando lixo?”. É mais ou menos a proposta da mostra The SMART Art ‘Trash into Treasure’ que acontece em SF, USA.“Competition was launched earlier this year with the goal to show the world that discarded items can be re-designed, re-used and re-thought into works of art and every day functional items.”
via Fecal Face
jun 02.09 | punking paris hilton
Te amo Banksy, sensacional!
mai 28.09 | aspas

Tirada da aula incrível do João de Souza Leite ontem.
O autor das aspas parece ser Anthon Beeke.
mai 22.09 | a multiartista
A primeira coisa que vi feita pela Diana Tavares foi uma de suas camisetas pintadas à mão. Achei incrível. Em todos os seus trabalhos podemos encontrar o desenho de um copinho americano que é sua assinanatura. Seus desenhos têm um quê de Radiohead experimental que me encantam mas o que mais facina é o fato dela ser uma multiartista, uma pessoa que busca o máximo de suas potencialidades, como diriam os filósofos da escola de Frankfurt, hehe! Formada em história, ela é chefe de cozinha, já trabalhou em diversos restaurantes, faz camisetas, pinta o que encontra colocando sua marca no mundo. Queria ver um muro inteiro com seus desenhos e um restaurante fofo com suas comidas que, aliás, ela compartilha colocando as receitas em seu blog de culinária: www.dianatavares.blogspot.com

As imagens acima são os copos lindos que ganhei de presente e que vieram dentro de uma caixa pintada à mão. E abaixo uma bicicleta também pintada por ela. Cliquem nas imagens para ver mais!
mai 21.09 | é importante definir?
Ou quando definimos o conceito de design acabamos delimitando demais suas fronteiras? Por que a obsessão de ficarmos sempre tentando encaixotar os conceitos? Se é arte, design, ou se não é.
O professor João de Souza Leite falou certa vez que não tem problema essa coisa de usar design pra tudo… Hair designer, eyebrow designer etc. Não somos donos da palavra, ela existe e as pessoas usam como querem. Mas por que isso incomoda tando os designers? Acho que a maioria tem na cabeça um conceito encaixotado e rechaça o que não cabe dentro com veemência e medo de algum outro teórico vir e destruir com as barreiras do entendimento que ele tinha por design. Coisa que deve acontecer com frequência.Segundo William Miller a definição é importante pois “sem uma clara compreensão sobre o que desejamos significar por design, nos tornamos vítimas do pensamento arbitrário e de estilos”. Além disso ele diz adotarmos “noções variadas e deturpadas a respeito de estética, forma e função, enunciada por outros”.
É aquele velho papo dos diluidores que acham uma coisa bacana e saem por aí reaplicando formalmente sem saber direito o discurso imbuído no original.Pra finalizar a definição do mesmo teórico William R. Miller e um trabalho dos artistas/designers Detanico e Lain:
“
Design é o processo de pensamento que compreende a criação de alguma coisa.

Utopia (2001-2003) – Detanico e Lain. Tipografia que retrata a combinação de arquitetura modernista e ocupação informal encontrada em grandes cidades brasileiras. Poster publicado para a 9a. Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza, Pavilhão Brasileiro.












