art.
mai 17.09 | construção

“Construction Materials Dijon”, 2004
“Construction materials water tower”, Phalsburg 2000Da mesma artista que na Bienal da Lisette fez o guia de terrenos baldios de São Paulo. Agora discutindo o espaço construído mostrando a quantidade de materiais de construção usados no espaço exibido.
via VVORK.
abr 22.09 | pedra sobre pedra
Em uma aula, sendo perguntado sobre o significado de ‘arte’, o Agnaldo Farias mencionou o poema “Catar Feijão” do João Cabral sobre como as coisas estão aí como pedras e os artistas as tornam visíveis. Segundo ele “o artista dá a ver o problema, traz à tona aquilo que fica submerso para outros…”. Logicamente foi lembrado em aula a “pedra no caminho” do Drummond, mas o que me veio à cabeça na hora foi a música do Caetano “If you hold a stone”.
Fui procurar alguma coisa sobre essa música e fiquei surpresa ao ler um trecho do Verdade Tropical onde o Caetano fala que a música é uma homenagem ao trabalho da Lygia Clark. Achei curioso essas sincronias… pedras e arte. Abaixo o trecho do livro do Caetano e o poema Catar Feijão.
“
Lembro nitidamente a menção da palavra pedra na descrição que Sônia fez do que viu de Lygia numa grande exposição coletiva do MAMB que eu, não sei por quê, não visitei. Parece-me que ela – que estava terminando um quadro abstrato que me parecia belo e que a levava às lágrimas enquanto era pintado – se perguntou se valeria a pena abandonar o óleo, a tela e os pincéis e participar de uma exposição com um “saco plástico cheio de água com uma pedra em cima”. É curioso que eu tenha tal lembrança, pois não sei o que poderia Lygia estar expondo em Salvador em 63-4. Acho que a frase de Sônia era uma espécie de suposição exagerada, mas é curioso que o que Lygia veio a fazer (e que eu homenageei numa canção de 71 – “If you hold a stone” tenha tido tanto a ver com essa descrição.”
[Caetano Veloso - Verdade Tropical]_______________________________________________________
1.
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.[Catar Feijão - João Cabral de Melo Neto]
abr 12.09 | some fresh art

Betsy Walton tem uma produção intensa! Vale conferir aqui.
Uma dica: tenho achado muita coisa boa no site da Rojo!
abr 07.09 | O que é ilustração?

Essa é a resposta do Michael Surtees no DesignNotes.
mar 23.09 | mi calle su casa
“
O sonho de uma cidade pública, dotada de espaços de encontros e trocas livres, é abandonado em favor do privilégio concedido ao ambiente privado pela globalização e as condições pós-modernas de desenvolvimeno do capitalismo” Amer Moustafa
“
Usar o transporte público em vez do automóvel privado tem claramente consequências ambientais que impactam a vivibilidade da cidade. Mas não é só uma questão dos efeitos dessa decisão sobre a qualidade do ar que se respira. É também o impacto sobre os aspectos relacionais e de interação entre pessoas, e do nosso próprio relacionamento com a cidade.
Moro na Europa já há varios anos e recebo frequentemente visitas no Brasil. Certa vez recebi um amigo de São Paulo com seu sobrinho adolescente. Foi desconcertante perceber que o rapaz não sabia como se relacionar com a rua, demonstrando dificuldades em entender coisas simples como o funcionamento dos bilhetes do metrô, como atravessar a rua, como dividir a calçada com outros pedestres. Evidentemente ele cresceu quase sem contato direto com a cidade, não tendo portanto a vivência do tempo-espaço da rua que, vista sempre de dentro de um carro, é percebida como um lugar de passagem, mas não de convivência.”
Lara Penin no texto “Urbano todos os dias” que faz parte do Caderno SESC_Videobrasil 04 Ocupação do Espaço | *Esse caderno é bem bom, viu? Textos legais, entrevistas ótimas com a Renata Lucas e Oda Projesi.
LINKS:
Bicicletada Curitiba: A rua é de todos!
Apocalipse motorizado
Sustainable everyday
Oda Projesi ou Projeto Sala
release do Caderno SESC_Videobrasil 04 Ocupação do Espaço
mar 19.09 | Sigmar Polke

You May be Spending a Lot of Your Weekend Thinking About Alternative Careers, 2000Eu ia fazer um “P.S.” no post anterior mas achei melhor escrever outro pra dizer que lembrei do Sigmar Polke que também utiliza diversas técnicas em seus trabalhos. Quando fui a uma exposição dele o que mais me marcou foram os títulos (além das obras grandes e impressionantes). Eramempre frases compridas que muitas vezes não se reacionavam em nada com o que estava sendo representado visualmente. A partir daí virei fã do artista e me dei conta da importância do título, odeio muito trabalho sem título.

Most highly valued are the ones whose scent only spreads a few centimetres around them and can only be detected in the immediate vicinity, 1996
mar 18.09 | Alex Lukas

Ao contrário do que muitos pensavam mundo está acabando mas a pintura não! Depois de ver aquelas pinturas hiper-realistas acho que entendi porque o povo achava que a pintura ja tinha dado o que tinha pra dar nas artes, né? Mas é só um meio, ferramenta que dá pano pra manga para as discussões. Lembro que uma vez foi falado que a maioria dos pintores eram homens e que a pintura era uma coisa do meio masculino e a fotografia mais do feminino. Sei lá, não tenho opinião sobre isso.
Enfim, as pinturas do Alex Lukas trazem muito do olhar fotográfico mas sem estar vinculado a discussão do hiper-realismo. Ele aproveita bem o suporte bidimensional fazendo uso de várias técnicas e tintas (acrilica, aquarela, guache, spray, serigrafia…). Vale ver com cuidado e ler a entrevista do cara aqui no Fecal Face.
fev 12.09 | Fanzinoteca ambulante

A Fanzinoteca ambulante é um projeto espanhol que tem como intenção divulgar publicações independentes e não comerciais. Os fanzines são conhecidos pela qualidade tosca, produzidos com baixo custo, na maioria com colagens e xerox. O mais legal é a ideia do módulo itinerante de consulta com os diversos fanzines e um móvel para eventos e atividades com um xerocão, tesouras, colas carimbos para quem quiser fazer o seu.Pra mim fanzine tem gostinho de infância, pré-adolescência, mas me deu super vontade de fazer colagens e repensar esse formato que é tão bacana e usar de veículo para alguma publicação. Me lembrou também Eloísa Cartonera… Gosto dessas ações baixo-custo, DIY, me deixa uma esperança de mundo melhor e de que estamos fazendo pequenas revoluções dentro desse sistema errado. Acho um absurdo não poder xerocar livros, sou a favor da cópia sim, acesso livre ao conhecimento!
jan 22.09 | doce olhar

by Liz Wolfe
Enjoy it…while it lasts, 2007 by Timothy John Berg.
Ambos achados do Design For Mankind.Déjà vu! Postei algo parecido antes aqui.
dez 17.08 | levantando o tapete

Esses são alguns desenhos do artista argentino Nicolas Róbbio que foram censurados no jornal da Bienal, 28b. O prédio da Bienal (dentro) é um estacionamento e fora um parque de diversões, somos cara-de-pau e o monumento é um joão-bobo? hahah! Muito bom!O Cypriano escreveu um texto ótimo criticando a Bienal e colocando o dedo na ferida sem dó! Leiam aqui. No final ele fala do movimento colocar a sujeira debaixo do tapete por parte da curadoria ao criar uma situação de falsa crítica e acordo de cavalheiros com a presidência da instituição. Fica aquela velha pergunta: “é possível realizar a crítica institucional dentro da instituição?”. E o encobrimento se torna mais óbvio quando o Ivo diz que vai fazer um relatório final acerca de conclusões sobre o evento porém ele será secreto. Ou seja, o compromisso do Ivo no final das contas é com a instituição e não com o público. Olha o que o Cypriano diz sobre isso:
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É compreensível que existam relatórios internos que não precisam ser públicos. Contudo, no caso da 28ª Bienal, esse documento seria como o relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e relatórios de CPI são necessariamente públicos.” Auditoria, já! haha!
Outros trechos do texto:
“
a bienal da crítica institucional separou a reflexão da produção artística, como se a crítica não pudesse ser realizada pelos artistas, ou pior, deveria ser evitada.
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A ausência de projetos de risco na Bienal, tornou-se assim, uma marca desse evento, como afirmou a artista Carla Zaccagnini, no último debate da série “A Bienal de São Paulo e o meio artístico brasileiro: memória e projeção”.
Sobre o tal do jornal 28b:
“
O jornal 28b, aliás, comprova outra das incongruências de “em vivo contato”: se por um lado ele cria um novo circuito para a Bienal, ao ser distribuído gratuitamente pela cidade, por outro, seu conteúdo é tão conservador que chega a ser estarrecedor. A começar pela existência de um editorial: Por que é preciso uma página tão hierárquica, com a voz de um dono da verdade como um editor? Mas não é só isso: Por que os artigos são tão convencionais rebaixando o conteúdo, evitando a reflexão? Por que evitar as polêmicas da mostra, como se elas não existissem, dando a impressão de um “house organ” publicitário? Por que buscar agradar o leitor a todo custo, no modelo “o povo fala” usado nos tablóides sensacionalistas?


















