performance.
dez 10.08 | Rirkrit Tiravanija em erupção

Rirkrit Tiravanija é minha mais nova paixão! Só fui tomar conhecimento da sua existência ao citar um trabalho do Matta-Clark (aquele em que ele propõe uma cozinha comunitária) para a Roberta que me falou de um trabalho parecido do Tiravanija de 1992 que consistia em uma ação (sculpture–performance–guerrilla) em que ele esvaziou uma galeria em NY e instalou uma cozinha onde fazia comida tailandesa e as pessoas eram convidadas a se servir e comer de graça (foto abaixo).
Não é à toa que ele refez em 2007 a obra do Matta-Clark Open House de 1972 (imagem acima à direita).Ele veio ao Brasil na bienal passada mas infelizmente passou depercebido por mim. Seu trabalho consiste basicamente em ações (mais para o happening e não performance) políticas e sociais questionando o objeto de arte e consequentemente as instituições.
Fiquei intrigada depois de ler sobre uma retrospectiva dele feita no Museu de Arte Moderna de Paris em que o lugar estava vazio e os visitantes entravam em contato com suas obras através dos monitores que relatavam algumas das ações que ele havia realizado. Achei bacana e super contundente com o que ele se propõe.Lendo mais sobre o trabalho dele descobri que a ação em que ele cozinha para o público é na realidade inspirada num “Parangolé Área” do Hélio Oiticica! Sobre isso ele fala “Conheci o trabalho do Hélio mais tarde, mas junto com Gordon Matta-Clark e Broodthaers, ele se tornou minha maior referência” (link).
A entrevista de Rirkrit Tiravanija feita pela Lisette (aqui na Trópico) levanta questões interessantes e que dizem bastante respeito ao que foi questionado e proposto (com pouco sucesso) pela 28a Bienal esse ano:
“A falta de instituições pode ser útil, já que o vazio pode ser preenchido com idéias, que estavam ausentes nas ‘instituições’, talvez alternativas (o que também é uma instituição), mas pensando em paralelo. A arte e os artistas devem voltar à sua capacidade de sustentar idéias sem a necessidade da economia.”
Acho bonito também essa passagem:
“Eu me esforço muito para não privilegiar as imagens posteriores, para não fazer documentação, nem ter consciência do efeito do trabalho, que toma muitos rumos. E para não usar a imagem como representação do evento (convertendo-a no próprio trabalho). Prefiro abrir mão da imagem.”E ele deixa bem claro como funciona sua obra e as diferenças entre ação (happening) e performance quando diz que “na performance de Yves Klein (ou na idéia de performance) há aquele que faz a performance e a platéia, há a visão e aquele que a vê. Eu não gostaria de montar as coisas com essas idéias. Prefiro que a situação tenha escorregões e erupções.”
nov 24.08 | Sha lalalala
Amanhã dia 25 e quinta-feira dia 27 as 20hs quem não estiver trabalhando, quem estiver divagando, pensando em algo pra fazer nessa cidade maravilhosa e chuvosa não hesite em passar lá na Bienal para ver a dupla Los Super Elegantes se apresentando com seu projeto Flipi Flopi.
Aí vão algumas musiquetas fofas:
Sha lalalala » do tipo “todas las promesas de mi amor se iran contigo!”
Je suis bien » detalhe no “je t’aime, je t’aime Maicou Do-go-las!”Ai dá vontade de colocar todas aqui, tava com saudades já de ouvir…
PS: Lógico que não é isso que eles vão apresentar… Mas eles são tão foda, vale super conferir ao vivo! Parece que Flipi FLopi é “um pastiche sobre a situação da Bienal, as figuras do curador e da modelo Gisele Bündchen.” segundo a Folha.
out 15.08 | lá em casa
A arte brasileira era tão mais excitante…

Flávio de Carvalho no lançamento de seu Traje de Verão (1957)
Nelson Leirner – Adoração ou Altar de Roberto Carlos (1966)
Catano Veloso vestindo parangolé de Hélio Oiticica (1968)
Cildo Meireles – Inserções em Circuitos Ideológicos (1970)
out 14.08 | Elas curtem Beuys
Ouvindo com atenção a Laurie Anderson em “It’s not the bullet that kills you – it’s the hole” de 1976 pincei o seguinte trecho: “Long distance is the story of my life / In the words of the artist Joseph Beuys, ‘If you get cut, you better bandage the knife’”. Googlei a frase e apareceram algumas coisas sobre uma suposta obra do Beuys intitulada “When You Cut Your Finger Bandage the Knife” (1962). Não achei nenhuma imagem desta obra… aí resolvi colocar aqui esse post com a imagem de uma outra performance famosa do Beuys que se chama “How to explain paintings to a dead hare” (1965) e por surpresa descobri que a Marina Abramovic também curte o artista. Ela refez essa mesma performance no Guggenheim em 2005, aí em baixo a imagem da Marina e o som da Laurie.
Relacionado ao tema, se alguém se interessar, existe uma entrevista ótima da Marina Abramovic feita pela Laurie Anderson na Folha aqui e a orgininal é daqui.
set 11.08 | O eterno agora
É o nome de uma mostra com filmes do Andy Warhol. Quase todos estão no Youtube mas é outra coisa ver em película.

Andy Warhol.
Kiss 1963
16mm film, black and white,
silent, 54 minutes at 16 frames per second
Marina Abramovic & Ulay
Breathing in, Breathing out (April 1977, Belgrade)
10′26”
— ‘We are kneeling face to face, pressing our mouths together. Our noses are blocked with cigarette filters.’ Ulay says: ‘I am breathing in oxygen. I am breathing out carbon dioxide.’ Abramovic: ‘I am breathing in carbon dioxide. I am breathing out carbon dioxide.’ Ulay: ‘I am breathing in carbon dioxide. I am breathing out carbon dioxide.’











