politics.
Out 29.08 | arte/ ação/ intervenção

Eu li no blog IdeaFixa sobre o projeto coletivo de arte e intervenções Wokitoki, achei interessante, principalmente a imagem forte da senhora pixando um muro (pelas palavras escritas em espanhol deduzi que deveria ser uma das avós da praça de Mayo). Depois entrando no link vi que se trata de uma intervenção “Las paredes son nuestras” feita em dezembro do ano passado.
Essa formiga pichada na parede tem uma história bacana que minha prima me contou. Ela simboliza um mártir lá de Rosário (Pocho) que lutava pela melhoria de vida das crianças carentes e sem-teto. Se não me engano era um padre que andava só de bicicleta pela cidade e tinha um abrigo/escola para as crianças e ele foi morto de uma forma nojenta por policiais. Os milicos aparecerem na frente da escola e ameaçaram atirar (isso não lembro o porquê) aí ele subiu no teto da casa com as mãos levantadas e pediu que não atirassem pois alí só tinha crianças. Resultado… atiraram nele. Isso tudo aconteceu não faz tanto tempo assim… queria ler mais sobre o assunto, vou procurar.Ah, isso eu sei pois se você for a Rosário vai ver que tem um monte de formigas pixadas pela cidade inteira! É de arrepiar… Me instiga como os argentinos são mais ativos politicamente do que os bananas aqui que precisam de um Collor da vida pra resolver sair nas ruas.
Out 20.08 | nulo
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Voto contra o logro, o atraso e a mistificação do voto obrigatório. Voto deveria ser como sexo, baseado na livre escolha, na fantasia e num nítido senso de propósito
Nicolau Sevcenko falou e disse. Na folha sábado passado 18/10.
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A entrevista com o sociólogo Francisco de Oliveira ontem na folha também está muito boa:
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São Paulo é uma cidade bastante conservadora. Se você retoma a história brasileira, o populismo paulista sempre foi de direita: Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Paulo Maluf.
Leia mais…
Mai 03.08 | cidades possíveis
Caminhando na Rua Dona Veridiana hoje de manhã me deparei com esse carro.


Fofo, né? O motorista deve ser também ciclista. É difícil fazer tudo de bike nesta cidade feita para carros e cheia de pirambeiras. Meu lema é caminhe sempre, se for longe vá de bike se for mais longe vá de metrô ou ônibus e se realmente não der pegue o carro. As pessoas são muito comodistas e precisam começar a tomar consciência disso. Faz bem pra saúde e é gostoso caminhar e andar de bicicleta.“
Ninguém será capaz de dizer o que irá funcionar em uma cidade só olhando para cidades-jardim de subúrbio, manipulando maquetes ou inventando cidades de sonho.
É preciso sair e caminhar.”
Jane Jacobs no apocalipse motorizado.
Abr 29.08 | Projeto casa-móvel para mendigo


Carolina Pino repensa a moradia de rua com esse projeto intitulado “shellhouse“. Só não sei se os mendigos iam gostar, é bem melhor um cobertorzinho… Também não entendi direito pra quê colocar um transmissor com frequência de rádio que informa o nome, idade e origem do mendigo. Quer dizer, lógico que é para monitorar os caras, meio bizarro, tipo que nem aquelas pulseiras que colocam nos passarinhos. Será que alguém algum dia vai entender que mendigo também é gente e não bicho? Mas tem uma coisa bem legal nesse projeto que é a forma DIY (Do it yourself), no site dele qualquer um pode baixar as instruções para fazer a casa e o tal do transmissor. Eu penso que o transmissor poderia servir pros camelôs ficarem sabendo quando a polícia vai aparecer, assim eles podem rapidinho levantar a banca, rs!
Uma coisa bonita que ela escreve no projeto:“
A house is where we validate this existence in the physical space.
A shelter that gives us protection, our intimate space.
Mar 06.08 | Vamos estar tomando vergonha na cara?
Texto da semana, para quem não leu na Ilustrada:
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Com trabalhos de 150 artistas, exposição para financiar preservação ambiental arrecadou R$ 750 mil por lei de incentivo
Diretor de museus do MinC considera a operação “estranha”, mas assessoria do ministério assegura que não há irregularidade
FABIO CYPRIANO
DA REPORTAGEM LOCALCom a participação de 150 artistas brasileiros, “Arte pela Amazônia”, mostra que é inaugurada hoje no pavilhão na Bienal, tem como objetivo central arrecadar fundos para a compra de uma área na fronteira do Mato Grosso com o Amazonas para preservação ambiental. Os artistas doaram as obras, que irão a leilão no dia 3 de abril.
Segundo Ricardo Ribenboim, um dos sócios da Base 7 Projetos Culturais, produtora que organiza a mostra, a expectativa é arrecadar entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, suficientes para comprar um terreno de 833 hectares, área cinco vezes superior ao parque Ibirapuera. “Esse terreno, onde será possível plantar 1 milhão de árvores, custa em torno de R$ 120 mil e com o dinheiro restante pretendemos criar um edital para projetos de qualidade para a população indígena e ribeirinha”, conta Ribenboim.
Curioso, entretanto, é que a Base 7 arrecadou, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, R$ 750 mil para a organização da exposição, valor bem superior ao que se pretende arrecadar. “Uma exposição com 150 artistas é muito cara por conta do seguro das obras, do aluguel de espaço, da edição de um catálogo. Nós só quisemos organizar a mostra e depois viabilizá-la a ponto de conseguir que a renda seja totalmente entregue ao projeto”, diz Ribenboim.
“Acho estranho que isso ocorra e, se virar moda, todo mundo vai usar a lei de incentivo para organizar uma exposição e fazer negócios em favor de alguma causa, independente do que ela seja”, diz José do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Museus do Ministério da Cultura (MinC). Coordenador de Análise e Aprovação de Projetos do MinC, Maurício Bortoloti disse que irá emitir um parecer sobre o caso nos próximos dias.
A assessoria de imprensa do ministério assegura, no entanto, que não há irregularidade, pois os projetos inscritos podem ter fim comercial, se houver uma finalidade cultural.Em família
A idéia para organizar a mostra com fins filantrópicos teve início numa conversa familiar: o filho de Ribenboim, Gabriel, é um dos proprietários da CO2 Soluções Ambientais, empresa que realiza projetos de neutralização de carbono, e tem uma fazenda próxima à área onde se pretende adquirir o novo terreno e irá monitorar o novo espaço contra incêndios e o desmatamento. “A idéia surgiu da união da CO2 e da Base 7 para criar um projeto de preservação consciente da Amazônia de longo prazo”, diz Ribenboim.
O resultado da arrecadação do leilão será dividido em duas partes: 30% para os artistas e 70% para uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), criada a partir do Instituto Arte Mais Meio Ambiente, que irá gerenciar o projeto. Os artistas, segundo Ribenboim, estão sendo convidados a participarem da entidade. “A idéia é entender que isso é uma atitude de artistas e foi bacana ver como houve sensibilidade para o projeto”, diz.
De 170 convidados, 150 aceitaram o convite para a mostra. No entanto, vários artistas ouvidos pela Folha não sabiam da captação. “Acho o valor arrecadado muito elevado, mas acredito ser por uma boa causa”, diz Mauro Restiffe. Outros atenderam por respeito ao organizador: “Participo porque confio no Ribenboim”, diz Carlito Carvalhosa. Outros artistas -que preferiram não se identificar- tiveram reações mais exaltadas ao tomar conhecimento da captação.
A Base 7 conseguiu ainda uma parceria com a Fundação Bienal de São Paulo que, mesmo ainda tendo dívidas da Bienal de 2006, deu um desconto substantivo para o aluguel: em vez de cobrar o preço normal, R$ 274 mil, está recebendo R$ 50 mil. O curador da fundação, Jacopo Crivelli Visconti, também trabalha para “Arte pela Amazônia”, organizando a disposição das obras e escrevendo o texto do catálogo. Segundo Ribenboim, Visconti recebe verba da própria fundação.”
O que mais irrirta é a alienação dos artistas em relação a tudo isso! Como alguém topa expor as obras sem saber (ou nem querer saber) o que está por trás de tudo isso e pra quem vai o dinheiro? Ainda mais quando é por uma “boa causa”, olho aberto minha gente.






